quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Viagem sem Fim

Tudo é nada diante do todo, nada sou nas raízes de meu ser 
Finjo até me encontrar nas profundezas dos sonhos 
Procuro nos devaneios de minha existência, um elo de luz. 
Desejo ser exatamente o que me propuseram e ainda consigo 
Abrir os braços para o infinito em busca de esperança. 


No espaço do tempo, nada é real, tudo parece embaralhado 
Minha mente fervilha, ouço vozes e sinto o cheiro do mar 
Um mar tão intenso, tão envolvente, acariciando o frescor da pele 
E a sensibilidade extravasando nessa imensidão 
Olho para o infinito e nada vejo. Sinto apenas um vazio profundo! 


Meu corpo inerte parece flutuar... Quero sentir, quero saber, 

Quero ouvir, quero ter certeza ! Onde estou ! O que aconteceu ? 
Será sonho ou realidade ? Existe um conflito, interrogação ! 
Preciso obter uma resposta para que eu possa, enfim, renascer. 
Tenho a sensação que parti e nesta viagem tenho que me reencontrar 
Tenho que reconquistar a esperança, mudar, transformar. 


Ser algo diante do que me amedronta e me assusta 

Quero aprender a ser o que não fui, esquecer o que vivi sem saber, 
Juntar os pedaços de minha existência para poder ser eu 
Seguir o caminho sem volta e assumir os papéis que a vida me propôs 
Tão deliberadamente que não quis aceitar e sem perceber, 
Simplesmente colocar uma máscara, tal qual uma armadura 
Tão invisível quanto minha existência. 


Vivi numa redoma intransponível como uma guerreira sem sonhos, 
Sem proteção, erguendo uma bandeira por ideais inexistentes 
Lutando por um sonho, um sonho de amor. Amando seu país, 
Suas origens, suas crenças, sua gente. Amando a tudo e a todos, 
Amando o nada, nunca se importando com o acaso do destino, 
Com o inesperado e as tramas que a vida pode nos conduzir. 


Agora, tudo me envolve, como um manto, tão singelo, tão verdadeiro 
A vida me jogou neste mar de conflitos, me sensibilizou e 
Ao mesmo tempo, sinto culpa do que não consegui fazer, 
Daquilo que não consegui ser. Sinto que o impossível 
Era tão passível e nunca quis compreender. 
Será que é tarde para arrancar esta máscara e tentar descobrir 


Quem realmente eu sou! 
Só agora a vida me faz refletir 
Só agora tento querer saber quem sou ! 


Serei uma personagem que disseca o sonho de um patriota exaltado? 
Quem sabe, um herói a um passo da loucura e a beira da realidade 
De sonhos às verdades, das mentiras às ilusões. 
No sono eterno, a paz merecida, assumindo a própria máscara. 
Posso ser também alguém que se encanta pelo Brasil 
Como um índio inquieto a percorrer trilhas sem fim.


Um corajoso em movimento e não um covarde imóvel 

Ou talvez, aquele que procura respostas, explicações 
Revisando seus erros num universo repleto de retificações 
Obter através de fraquezas alheias, envelhecer sem sentido 
Gastar os anos sem objetivo, maltratar-se e maltratando 
Endurecendo, calejando e embotando toda a sensibilidade 
Aceitando as tramas da vida, tal qual as armadilhas 
Que a própria vida faz ou quem sabe, culpar-se a vida toda 
Até conseguir o perdão eterno... 


Mas que máscara usar diante deste impasse? 
Duelar com o mundo, com a cultura, com os costumes 
Conviver com o orgulho, assumir papéis inconsequentes 
Ou mergulhar no encanto das palavras nos doces poemas 
Poema que enaltece, revigora, entristece e faz sorrir... 

...“Meu rosto descansa, entre duas flores, chamei-o, chamei-o 
muitas vezes e ele não quis responder, não pôde falar ! 
Disse que era tarde”... 

Oh, Cecília Meireles! nunca é tarde para assumir uma viagem sem fim 
Mesmo quando arrancamos a máscara diante da vida... 


Veneza de Almeida Babicsak

Um comentário:

  1. 'Tenho a sensação que parti e nesta viagem tenho que me reencontrar
    Tenho que reconquistar a esperança, mudar, transformar'...

    Oh, Veneza de Almeida Babicsak! eu amo seus poemas.

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